'O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de Kansas City, Jeffrey Schmid, afirmou acreditar que a trajetória de crescimento da economia americana segue robusta e disse ter ouvido “otimismo” de seus contatos em relação ao desempenho neste ano. A declaração foi feita em discurso preparado para o Clube Executivo da Região Metropolitana de Denver, nesta terça-feira (3).
Segundo ele, parte da força da atividade está relacionada à política fiscal expansionista, que sustenta a demanda. Os consumidores, afirmou, têm se beneficiado de restituições de impostos maiores, enquanto as empresas aproveitam incentivos fiscais para ampliar investimentos.
Ao avaliar o desempenho do último ano, Schmid reconheceu que a economia apresentou bons resultados, apesar do ambiente de incerteza. Ressaltou, contudo, que o crescimento poderia ter sido mais forte se o governo dos EUA não tivesse paralisado suas atividades no fim do ano.
“Embora o crescimento permaneça sólido, ambos os lados do duplo mandato — emprego e inflação — apresentam alguns desafios”, afirmou. No mercado de trabalho, destacou que, mesmo com a desaceleração nas contratações, há poucos sinais de aumento nas demissões, configurando um ambiente de “poucas contratações e poucas demissões”.
No campo inflacionário, o dirigente ponderou que a inflação continua elevada, o que não permite ao Fed ser “complacente”. Dados recentes indicam que os preços seguem mais próximos de 3% do que da meta de 2% da autoridade monetária. “É improvável que ainda estivéssemos falando em pousos suaves”, disse.
Para Schmid, com a inflação ainda pressionada, a demanda parece superar a oferta em grande parte da economia. Ele afirmou permanecer aberto — e até otimista — à possibilidade de que a inteligência artificial (IA) e outras inovações possam, no futuro, impulsionar um ciclo de crescimento não inflacionário, sustentado pelo aumento da oferta.
Ainda assim, ponderou que a IA pode ser necessária apenas para compensar o impacto negativo de uma força de trabalho menor sobre o crescimento potencial. “Com base na taxa de inflação atual, ainda não chegamos lá”, concluiu.'
Por Estadão Conteúdo
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