'A Amazon apresentou resultados robustos, com receita trimestral de US$ 201 bilhões, crescimento de 20% na comparação anual e desempenho acima das expectativas.
O lucro por ação alcançou US$ 5,75, também superando as projeções, embora tenha sido favorecido por US$ 53 bilhões em receitas não operacionais, principalmente relacionadas ao ganho não realizado com a valorização da participação da companhia na Anthropic.
Ainda assim, o principal destaque veio da operação: a Amazon Web Services cresceu 37%, bem acima dos 31% esperados por Wall Street, enquanto sua margem operacional atingiu 39%.
Os números reforçam a recuperação da AWS e mostram que a maior plataforma de computação em nuvem do mundo voltou a crescer em ritmo mais próximo ao de concorrentes (Microsoft Azure e Google Cloud).
A aceleração da AWS ajuda a explicar por que o mercado recebeu de forma positiva o aumento da previsão de investimentos.
A Amazon elevou sua estimativa anual de despesas de capital, ou capex, para US$ 220 bilhões, incorporando cerca de US$ 20 bilhões adicionais, destinados principalmente à construção de data centers e à expansão da infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Embora os US$ 54 bilhões investidos no trimestre tenham superado o fluxo de caixa operacional em US$ 8,8 bilhões e levado a companhia ao segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre negativo, a demanda por capacidade computacional continua acima da oferta disponível.
A empresa, inclusive, aumentou duas vezes neste ano os preços do aluguel de servidores destinados à IA, sinalizando poder de precificação e um ambiente de demanda ainda bastante favorável.
O aumento do endividamento terá papel relevante no financiamento desse ciclo de expansão, especialmente diante da emissão adicional de US$ 25 bilhões em julho, somada aos US$ 63 bilhões em dívidas de longo prazo contratados no primeiro semestre e à linha de crédito de US$ 17,5 bilhões anunciada em junho.
Esse movimento exige acompanhamento, sobretudo por seus possíveis efeitos sobre a geração de caixa e a estrutura de capital. Ainda assim, o mercado parece compreender que os investimentos atuais estão associados a uma oportunidade estrutural de crescimento em computação em nuvem e inteligência artificial, e não a uma deterioração do negócio.
Nesse contexto, os resultados reforçam uma visão construtiva para as ações da Amazon, negociadas na Nasdaq sob o código AMZN e acessíveis no Brasil por meio do BDR AMZO34, já recomendadas anteriormente em nossas séries voltadas a ações internacionais.'
Por Matheus Spiess
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