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Governo corta projeção para o PIB de 2026 e vê juros pesando sobre economia

Governo corta projeção para o PIB de 2026 e vê juros pesando sobre economia
'A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, segundo o Boletim MacroFiscal de setembro.

A revisão reflete principalmente uma expectativa mais fraca para serviços e indústria, em meio aos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito e a demanda doméstica.

Para o setor de serviços, a estimativa de crescimento caiu de 2,4% para 1,8%, enquanto a projeção para a indústria passou de 2,1% para 1,7%. Na direção contrária, a Fazenda elevou a previsão para a agropecuária de 1,8% para 2,8%.

Segundo a SPE, o primeiro semestre deixou um carregamento mais fraco para os serviços, enquanto os juros elevados começam a aparecer de maneira mais clara sobre a economia.

Um dos canais é o orçamento das famílias. Embora o endividamento permaneça relativamente estável em relação à renda, o comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre. Isso, segundo o relatório, limita a transformação dos ganhos de renda em consumo.

Na indústria, a principal pressão vem da transformação, afetada pelo crédito caro e pela demanda mais fraca por bens de consumo. A indústria extrativa, por outro lado, continua sustentando parte do desempenho do setor.


Economia deve perder mais fôlego no 3º trimestre

A Fazenda espera que a desaceleração fique mais evidente no terceiro trimestre. A projeção é de crescimento de apenas 0,2% na comparação com os três meses anteriores, após avanço de 0,4% no segundo trimestre móvel.

Na comparação anual, o PIB deve crescer 1,8% no terceiro trimestre, abaixo dos 2,0% registrados no trimestre anterior.

Boa parte dessa perda de força deve vir da agropecuária. Após crescer 6,8% na comparação anual no segundo trimestre, o setor deve desacelerar para 3,7% no terceiro. Na margem, a Fazenda espera queda de 0,7%.

A indústria deve crescer 1,3% ante o mesmo período de 2025, enquanto os serviços devem avançar 1,6%.

Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho continua funcionando como um colchão para a atividade. A taxa de desemprego estava em 5,3% em julho, em patamar historicamente baixo, e a massa de rendimentos ainda ajuda a sustentar os segmentos mais ligados ao consumo.


Juros ainda fazem efeito

A própria Fazenda passou a trabalhar com uma trajetória de juros um pouco mais elevada. Entre as grades de julho e setembro, a estimativa para a Selic acumulada passou de 14,16% para 14,22% em 2026 e de 12,53% para 12,67% em 2027, incorporando uma flexibilização monetária mais gradual.

A SPE avalia que os juros permanecem em terreno restritivo e aparecem no custo do crédito para empresas e no comprometimento da renda das famílias, freando a atividade doméstica.

Ainda assim, a Fazenda espera alguma melhora no fim do ano. Para o quarto trimestre, projeta crescimento de 2,1% na comparação anual, à medida que os cortes da Selic iniciados em março começam a chegar à indústria de transformação, à construção e aos serviços mais sensíveis aos juros.


Fazenda também reduz projeção para 2027

A revisão não ficou restrita a este ano. A SPE reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2027 de 2,5% para 2,3%.

Para o próximo ano, porém, a dinâmica esperada é diferente. A Fazenda considera que a queda da Selic iniciada em 2026 deverá se transmitir gradualmente ao crédito e à demanda, beneficiando consumo, investimento, construção, indústria de transformação e serviços mais cíclicos.

Mesmo após os cortes, as projeções oficiais permanecem mais otimistas que as expectativas do mercado consideradas no relatório. Na data de corte utilizada pela SPE, a mediana do Focus apontava crescimento de 1,9% em 2026 e 1,5% em 2027, contra 2,0% e 2,3%, respectivamente, projetados pela Fazenda.'



Por Juliana Caveiro



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